Pedagogia/UFRGS/Aprendizagens

sexta-feira, setembro 18, 2009

Projeto: A Escola Que Protege Bullying



Autoras do projeto
Izolete Lazaroto e
Maria Inês Dalpiás
Setembro de 2009





Projeto Bullying: Forma de Violência no Ambiente Escolar
Estudo, Reflexão, Identificação e Prevenção.
Introdução:
As relações sociais surgidas no universo escolar estruturam cultural e historicamente, momentos educativos ou não onde há vivência significativa para a maioria das pessoas que utilizam esse espaço. No entanto, uma grande parte dessas relações, nem sempre demonstram ter uma convivência pacífica como seria desejado em um local de troca de experiências e de possível crescimento do ser humano.
Tradicionalmente considerava-se que direitos humanos e liberdades fundamentais eram direitos individuais, próprios de cada ser humano, mas não das coletividades. Atualmente cresce o consenso de que alguns direitos humanos são direitos essencialmente coletivos, como o direito a paz e a um ambiente saudável. (BRASIL, 1998, p.19).
Disfarçado por brincadeiras aparentemente inocentes, ou “próprias da idade”, o relacionamento discente, muitas vezes atinge pontos de violência moral e psicológica graves. Essas situações, segundo a professora Cleo Fante (2005), precursora dos estudos a respeito do fenômeno bullying nas escolas brasileiras, declinam para conflitos sociais e tensões que podem por sua intensidade e freqüência, afetar tanto o aproveitamento escolar da vítima, como de todo o grupo participante dessas ações.
A forma de apresentação dos seminários e a divisão de tarefas, assim como o envolvimento discente na busca por sua realização resultaram em descobertas e discussões – sobre agressões morais inesperadas até então – dentro de nossa escola, apontando como ressalta Fante (2005), que: “O bullying tem como característica principal a violência oculta.” (p. 74).

Delimitação do tema: Estudar, refletir, identificar e prevenir o fenômeno bullying nas escolas municipais Podalírio Inácio de Barcellos e Idalina de Freitas, ambas localizadas em bairros de periferia do município de Alvorada, RS.
Público Alvo: corpo discente das escolas acima mencionadas, sendo alunos do 1º ano escolar à 8ª série, com idades entre 6 anos e 14 anos, ambos do sexo feminino e masculino, pertencentes, em sua grande maioria à classe sócio- econômica baixa.
Período previsto para a aplicação do projeto: meses de outubro, novembro e dezembro de 2009.

Justificativa
A principal justificativa para a elaboração deste projeto é o objetivo de identificar, prevenir e combater qualquer tipo de violência, principalmente o bullying, entre o grupo discente das escolas municipais Podalírio Inácio de Barcellos e Idalina de Freitas, e também, por entendermos que é possível encontrar meios para dar verdadeiro sentido às relações humanas, quer seja no ambiente escolar, quer seja na sociedade como um todo.
(...) Quando os alunos mudam, não é porque adquiriram um conhecimento intelectual sobre o respeito, mas sim porque descobriram sozinhos quais são suas preferências nos relacionamentos que têm uns com os outros. É muito mais convincente e significativo perceber as próprias preferências do que ser informado sobre quais deveriam ser essas preferências (BEAUDOIN & TAYLOR, 2006, p.182).
Ainda, justificando nossa proposta, por acreditarmos nas relações humanas de um modo saudável e positivo e também por percebermos que, tanto vítimas, quanto agressores envolvidos com bullying precisam de esclarecimentos, estudos e reflexões sobre o quanto é prejudicial para a saúde humana este tipo de violência que permeia os ambientes escolares, por entendermos a importância do papel do professor enquanto educador, nossa prática, os vínculos de amizades que estabelecemos com os educandos, o comprometimento que temos com a educação e por sabermos que só poderemos intervir e agir no momento certo de maneira correta, num ambiente onde haja a presença da solidariedade, do respeito e da colaboração de todos os envolvidos no processo escolar.
"Inúmeros alunos de todas as idades nos disseram que sua ligação com um educador, que tenham tido a chance de conhecer como pessoa, aumentou sua motivação para concluir tarefas e levou-os a nutrir uma atitude mais positiva" (BEAUDOIN & TAYLOR, 2006, p.123-124).
Em resumo, devemos e podemos colaborar, através deste projeto, para um estudo mais aprofundado sobre o bullying, identificando a presença deste fenômeno assim como a prevenção do mesmo em nosso ambiente escolar, tornado-o assim um espaço de trocas e interações, onde as relações humanas sejam significativas e de aprendizado para todos.
Objetivos
Entender e refletir sobre as situações de violência entre o corpo discente, estando atentos para suas significações na tentativa de combatê-las e reduzir sua continuidade.
Mediar, através de temas pertinentes ao conteúdo de formação do aluno, situações onde este possa, de forma crítica e analítica, através de comparação e seleção das estratégias, a que melhor se adaptam a cada etapa da construção de sua atuação nesse processo promover reflexões sobre o bullying.
Demonstrar que o processo educacional pode ser inserido no cotidiano discente, valorizando seu tempo na escola para estímulo e registro dos próprios avanços e construindo de forma autônoma, recursos teóricos e práticos que lhes possibilitem cidadania crítica.
Estratégias
Estudo e reflexão teórica através de textos com os seguintes temas:
Valores sociais e morais.
Diversas formas de violência nos ambientes escolares
O que é o bullying?
De que maneira os alunos se envolvem com bullying?
Quais as conseqüências possíveis para os alvos?
Reflexão sobre como os alunos percebem e seu espaço escolar.
Poesias, filmes, músicas.
Palestras com profissionais especialistas (psicólogo)
Indicadores
1º Questionário para professores e alunos, o qual será aplicado no início do projeto:
a) O que é violência?
b) Você identifica a presença de formas variadas de violência no seu espaço escolar?
c) Quais os tipos de violência são mais freqüentes?
d) O que você sabe sobre bullying?
2º Questionário para professores e alunos, o qual será aplicado no final do projeto:
a) O) que você entende por violência?
b) O que é bullying?
c) Você identifica a presença do bullying no seu espaço escolar?
d) Antes do projeto havia mais ou menos violência na sua escola?
Resultados esperados
Espera-se que com a aplicação deste projeto, haja uma conscientização e empenho entre o corpo discente da escola, a fim de diminuir ou extinguir toda e qualquer forma de violência no espaço escolar, tornando assim nosso ambiente escolar, mais pacífico e harmonioso, onde prevaleça a solidariedade, a cooperação e o respeito entre todos os envolvidos no processo escolar.







Bibliografia:
BEAUDOIN, M. N. & TAYLOR, M. Bullying e desrespeito: como acabar com essa cultura na escola. Porto Alegre: Artmed, 2006.FANTE, C. Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. Campinas Verus, 2005

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segunda-feira, agosto 10, 2009

Projeto "A Escola Que Protege"


"A Escola que Protege, prevenção à violência contra crianças e adolescentes em direitos humanos e mediação de conflitos".

O objetivo do projeto é instrumentalizar profissionais da área da educação em geral e da rede de proteção de crianças e adolescentes sobre os direitos das mesmas, as violações destes direitos, principalmente aqueles relacionados às situações de violência e a mediação de conflitos. Fornecendo conhecimentos e ferramentas para que sejam agentes ativos e capacitados no enfrentamento de situações de violação aos direitos do público infanto juvenil.

Municípios alvos serão Canoas, Alvorada e Porto Alegre, municípios prioritários segundo o Manual da Resolução n.37 .

A proposta pretende a elaboração de uma cartilha para uso em sala de aula, com o propósito de promover discussões sobre os direitos das crianças e adolescentes entre alunos e professores. Este material trará histórias que fazem crianças e adolescentes se confrontarem com dilemas sobre seus direitos, propiciando reflexões que os façam se encaminhar para soluções de conflitos.

Experiência:

O projeto acontece em 2009, na UFRGS, Campus da Psicologia, sob organização de Andreína Moura, Aluna de Doutorado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento da UFRGS. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Humano em Situações de Risco Social e Pessoal.

Enquanto partipante, obtive uma visão multifacetada da minha prática social.
Reflexões do tipo:

Gêneros, raças e etnias com seus sofrimentos anônimos, sem informação adequada para suas necessidades e proteção.

O quanto o Brasil é um país machista que abandona e enfraquece mulheres. Esta visão sempre esteve presente, porém nunca tão esclarecida através de vídeos e textos comentados e discutidos com profundidade, com observância direta da própria história da mulher.

O que os Direitos Humanos protegem e a sociedade não.
A desconstrução de representações sociais (crianças e adolescentes de rua, prostituição? Infantil, mendigos...) e as práticas da sociedade com relação a elas. Quem é responsável por uma criança ou adolescente estar na rua hoje? Que força nós professoras temos para ajudar esta criança a parar de sofrer. Pensava, antes do curso, que não haviam opções, mas é possível cobrar soluções quando estamos fazendo nossa parte e temos informações diretas da continuidade dos encaminhamentos.

Que influência de situações de violência como, bullying, discriminação,
exclusão, subalternização e (in)visibilização, há nas vivências intra escolares dos alunos? E no desempenho destes estudantes e profissionais da educação?
Como estão acontecendo as situações da violência, em particular contra crianças e adolescentes e como, nós adultos, podemos perceber o "pedido de ajuda" nem sempre expresso. Através de trabalho feito por profissionais da psicologia, pesquisas apontam para características comuns em crianças violentadas. Através do curso pude saber como
identificar estes comportamentos na sala de aula.
Como contribuo em minhas práticas escolares para significar, através de estudo biopsicossocial das crianças e adolescentes, formas de agressões, e encaminhá-las da melhor forma possível, sem causar "mais um trauma".
Que ações voltadas para o enfrentamento da violência e erradicação do trabalho infantil fazemos, através do Projeto Político Pedagógico da minha escola.

Este curso foi importantíssimo para minha vida, concluo que a Secretaria de Educação de Alvorada devesse proporcionar estes saberes a todos os profissionais ligados a crianças e adolescentes.

Nossa visão acadêmica não prevê o trabalho com estas dificuldades, mas o Município, tem meios para disponibilizar este conhecimento tão valioso, pois fará dos profissionais PROTETORES DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM POTENCIAL, preservando assim o tesouro de Alvorada - sua CRIANÇA E ADOLESCENTE.

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